Samuel F. Pimenta fala-nos sobre ser autor, escrever e ser livre

Samuel F. Pimenta, é um dos autores mais jovens do panorama literário nacional e já tem várias obras em poesia publicadas, bem como, outras tantas em prosa. Neste momento ainda está a sentir os ecos do seu último livro “Iluminações de Uma Mulher Livre“.  

1. Consegues identificar o primeiro momento em que a escrita se tornou mais que uma simples paixão?
Aos 10 anos, no momento em que escrevi o meu primeiro conto. Até aí, já percebia que tinha talento para a escrita, mas só escrevia nos momentos de avaliação da escola, nos testes. Posso dizer que as composições em sala de aula eram das coisas que mais gostava de fazer. Mas no dia em que escrevi o primeiro conto, foi mais do que gosto pela escrita, foi o resultado de uma necessidade enorme de transpor para o papel a história que me ia na cabeça. E desde então nunca mais parei.

2. Quando escreves tens algum método ou alguns truques?
Quando estou a escrever prosa, especialmente romance, preciso de isolamento, sou capaz de passar dias fechado em casa. Antes de avançar para a escrita de um livro novo, também tenho o hábito de ler muito sobre o tema que irei tratar e de ver filmes. Caminhar ajuda-me a organizar ideias, a perceber o caminho que as personagens vão tomar. E a música, a música é a minha companhia nas horas de escrita.

3. Que momentos decisivos podes apontar na tua já importante carreira de autor de poesia e de prosa?
Entre todos os eventos, viagens e prémios, destacaria o momento em que fui convidado para estar na Feira do Livro de Frankfurt; o mês de Agosto de 2014, que passei no Brasil, para receber um prémio e participar na Bienal do Livro de S. Paulo, a convite da Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas; e o dia em que soube que o meu livro “Ágora” acabava de receber o Prémio Literário Glória de Sant’Anna.

4. Quais as grandes diferenças ao escreveres prosa e poesia?
Escrevo prosa para contar e escrevo poesia para cantar (e muitas vezes conto cantando e canto contando). Explicar melhor do que isto é difícil.

5. Se pudesses voltar atrás no tempo que dirias ao Samuel que ainda não havia publicado nenhum livro?
Continua!

6. E que dirias a quem está neste momento a escrever ou quer escrever e eventualmente publicar um livro?
Exactamente o mesmo que diria a mim: continua!

7. O teu último livro publicado é “Iluminações de Uma Mulher Livre“. O que nos podes dizer sobre ele?
O livro é resultado da Bolsa Jovens Criadores, que me foi atribuída em 2015, pelo Centro Nacional de Cultura. Com a bolsa, fiz uma residência artística para me ambientar à aldeia que serve de cenário à história do livro: a aldeia de Pinheiro, no concelho de Carregal do Sal (Viseu). É um livro sobre Isabel, uma mulher que se confronta com um casamento abusivo e a sociedade patriarcal em que ainda vivemos. Isabel acorda com uma ideia, e o livro é, em parte, o exercício que esta personagem faz para perceber se leva ou não essa ideia em frente: se consegue, ou não, matar o marido. Isabel é uma visionária e não encaixa nos padrões comummente aceites pela sociedade. Ela poderia ser cada um de nós ao ver-se diante dos movimentos de controlo e de formatação a que estamos sujeitos, grande parte deles violentos. Além disso, este é um livro sobre as utopias possíveis, sobre o desejo de um mundo sem fronteiras, sem tentativas de domínio e de predação sobre as diversas formas de vida, em que as comunidades se ligam de forma a viver na Terra harmoniosamente.

8. Que livro vais ler nas tuas férias?
De momento, ando a ler a obra completa de Daniel Faria. Creio que me irá ocupar nos próximos tempos.

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